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domingo, 2 de novembro de 2014

Desajustado

Cobre meu ser 
Um arrepio
E nem faz frio
Percorre os pelos
De encontro aos meus olhos mareados

Latente no peito
Há um aperto
Desajustado
Causador da disfunção mais letal

Na desordem dos meus dias mais febris
Trago a flor da pele
Um desejo que não se calou
Manias condenáveis
De refazer outra vez
Um amor que apagou

Todos os cantos
Destes meus lábios
Pedem seu jeito
De conduzir-me ao delírio
Com sede de guerra e afago

Ao desespero
O meu apelo
Está fadado
Teu cheiro me cerca os lados
E rouba-me a paz

Na desordem dos meus dias mais febris
Trago a flor da pele
Um desejo que não se calou
Manias condenáveis
De refazer outra vez
Um amor que apagou



sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Gira Mundo

Gira sob o sol
O seu planeta Terra
Que em terra naufragou
Já fez sua parte
E nessa parte da cidade
Isso vem de cedo

Tua sombra confidente
Pequenina
Agora sente que ele descansou
Seu corpinho inocente
Nenhum desfrute do prazer
Tocou

Gira mundo, gira
Pra onde você vai?
Onde está seu pai?
Posso ser teu irmão?
Gira mundo, gira
Leva toda essa aflição
Ele só foi ganhar o pão
Não lhe deram paz

Somos nada parecidos
Eu brinquei de violência
Ele a testou
Eu girei sua ciranda
Da varanda do meu prédio
Ele a dançou

Quando penso nele logo existo
Como um traste
Um ser indigno de valor
São os ossos do ofício
Da carreira curta
Que na mesa terminou

 Gira mundo, gira
Pra onde você vai?
Onde está seu pai?
Posso ser teu irmão?
Gira mundo, gira
Leva toda essa aflição
Ele só foi ganhar o pão
Não lhe deram paz 

Fosse uma mentira eu aceitava
Mas hoje quis perceber
Nossas crianças abortadas
E nós acenando da janela

Nossas mães são diferentes
Mas sabem quando a gente mente
Por nos conhecer
Mas não sabem de um terço
Nem a missa todas nossas mães vão conhecer

E gira o mundo
Cai a bola
Cai um corpo
Nasce um filho
Uma omissão aparece

Cai o mundo
Gira a bola
Nasce um corpo
Todo morto

Amanhã a gente esquece

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Quarto de Saudade

Ontem não pude dormir
Passei em claro
Dando voltas no passado
Que ascendeu meu coração e partiu
Discretamente
Fez-me de enfeite
Num dia sorrido de sol
Que no retrato faz morada
Na lembrança uma mágoa
Cicatriz e desassossego
Me agarro ao desespero
De manter-me por inteiro
Neste quarto de saudade
Que foi só de amor primeiro


sábado, 4 de outubro de 2014

Lila

É reboliço no espaço
Um vendaval de verão
A graça desse teu cabelo ao vento
Digna da inspiração
Repousa sobre Platão
Entorpecendo o verso mais coeso
Fuja-se logo daqui
Encontre o sol que espera
Beijar seu corpo do fim ao começo  
Sinceros tons de amarelo
E o mais sereno lilás
Querem saber um pouco mais
De quem não é só minha  
Também deveras não ser
Tolo quem tenta lhe aprisionar
Ela transborda e eclode
Como um show de Pink Floyd
Motivo belo de Caetanear
Discretamente passeia
Aos olhos de quem anseia
O céu da boca dela congelar
Femme fatale e letal
Tensão do tesão que oscila
Pelos lençóis de pele que cobrem
Lila

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Deus tenha pena do Seu ser

Vil
Nem mais nem menos, sou
Vis
Quando juntos, somos
Viu?
Ele pede pra comprar pinga
"Eu conheço!"
"Vagabundo!"
Deus tenha pena do Seu ser

Foi
De nojo a morte, foi
Foi
Dum podre pobre, foi
Foi
Quando me vi humanizado
Civilizado
Eu e meu terno coração


Ai de mim eu de eu mesmo
Ai se me topo comigo
Ai se me desnuda a mente
Toda aquela gente
Já tava posta pra morrer


Só porque ontem descobri
O elixir da vida eterna
Pela voz de uma sirena
Que na terra rasteja quieta
Pensa calada
Mas pensa
E não quer réplica de minha punição?
Como não?
Tome emprestado algum perdão
O meu não

Danilo Morelli

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Sou de Lá

Eu não sou daqui, sou de lá
Eu não sou daqui, sou de lá
Eu não sou daqui, sou de lá 
Da terra de ninguém (2x)

Sou de lá onde o povo se sente estrangeiro na rua
E ficamos muito solitários em meio a toda multidão
Sou da terra que promove o aumento do preço da terra
E amassa a massa
Sem ter nem roçado o chão
E sem pedir perdão

Eu não sou daqui, sou de lá
Eu não sou daqui, sou de lá
Eu não sou daqui, sou de lá
Da terra de ninguém (2x)

Tem dias que na minha terra chove gelo do sol
E aparece gente que manda tanto
Que manda chover
Sou filho do pecado, lá da capital do desencontro
Onde o rico paga
Sem ter pra onde correr

Eu não sou daqui, sou de lá
Eu não sou daqui, sou de lá
Eu não sou daqui, sou de lá
Da terra de ninguém (2x)

Que saudade de outras paisagens quando eu estou lá em casa
Onde os muros por serem tão grandes
Remetem a solidão
Sou de Sampa, onde baianos curtem pouco
Trabalham duro
E que pros cariocas são paraibanos
É de pouca noção

Danilo Morelli

domingo, 25 de maio de 2014

Nosso Amor Finito

Foi demais pra mim
Te esquecer aos poucos
A indiferença é tão capaz
E pertence a nós todos
Não, eu não quero estar certo
Mas quando os sonhos não se completam mais
É o fim das contas
Vejo você sorrindo e não acho graça
Nem acho bonito
O que não é comigo
Quando passo pela casa que é sua
Desvio o olhar
Pra não lembrar
Nosso amor finito

Danilo Morelli

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Belfagor, o Arquidiabo

Outro dia pelo caminho
A gente se encontrou
Seu olhar parecia
Sempre sublimar algo
Foi-se com pressa
Deixou sugestão, seu cartão e um recado:
“-Não diga que me viu por aí
Sou Belfagor, o Arquidiabo.”

Ele disse conhecer o céu
Eu respondi que sonho em ir pra lá
Belfagor, por favor, me ensine como chegar
Seu discurso de meias palavras
Revelou o intento, que era:
“Se puder, não ame nenhuma mulher
Aqui na Terra!”   

Ele veio em missão extraordinária
De livrar os pagãos da fornalha
Sob a forma mundana de Roderigo
Mordeu a maçã nas mãos de Honesta
Belfagor, anjo profano ferido
Por ela que não presta

E disse assim:
“ Ela ajeitou a vida da mãe, dos irmãos e da tia
Levou meu nome, meus dotes e os muitos cabelos que eu tinha
Ludibriou meu amor e jurou para sempre ficar comigo
Com uma mulher assim
Trate você de adorar seus inimigos ”

Danilo Morelli

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Maria vai com as outras

Vá, Maria vai com as outras
Pela tua estrada de alegrias imorais
O que você nunca se deu conta
É que na libertinagem o prazer é tão fugaz

Veja o pobre do Zé seu pretendente
Se acabando em aguardente
Para amenizar a dor
Rapaz alinhado, boa gente
Bacharelou-se em Resende
De família humilde e hoje é doutor
Faz plantão no bar do Seu Cesário
Bebe todo o seu salário
E não vê você chegar do Arpoador

Maria, quem a conhece só critica
E cá pra nós, não há outra coisa a se fazer
Bate ponto nos sambas da alta burguesia
Dorme enquanto o sol se prepara pra nascer
Faz de conta que é santa quando chega na vila
Maria, sua rotina entregou você

Maria, Maria
Pega na mão do José
Desfila com o moço
Faça uma pra Deus ver

Maria, Maria
Segue sinais de fumaça
Onde tem batucada
Ela torna a aparecer

Danilo Morelli

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Zero a zero

Hoje não
Hoje eu quero ficar só
Naquela vida que você julgava errada
E nunca provou pra falar

Sendo assim
Não me pergunte dos porquês
Arranje tempo pra razão, na ocasião
Ela pode decifrar

Quem não quer, não quis
É simples de entender
Sou eu
Foi você

Pra atravessar sua barreira intransponível
Eu, o sujeito
Fiquei até invisível
No mais, segue a partida em zero a zero de novo

Eu não sou de me contentar com pouco
Mas não vou me dilacerar por ouro
Você sempre vira a mesa
Mas não tem jogo

Danilo Morelli